Frithjof Schuon – Imagens do Espírito (FSIE)
“Se os homens sem sabedoria ouvem falar do Tao, eles riem.
Não seria o Tao se eles não rissem”.
Lao Tsé
Assim como o filósofo ou o buscador espiritual, o antropólogo que não se satisfaz com a abordagem materialista da ciência moderna ao estudar as civilizações antigas descobrirá aqui que sua insatisfação é o sinal de uma profunda expectativa interior. Neste livro, Frithjof Schuon, seguindo René Guénon, mas de uma maneira diferente, já que este último não considerava o Budismo como uma religião intrinsecamente ortodoxa, restitui à abordagem simbolista todo o seu valor e alcance, apresentando três estudos sobre aspectos importantes das civilizações orientais: o Xintoísmo, o Budismo e o Yoga hindu.
O que impressiona nesta obra, além da profunda erudição demonstrada, é a solidez dos argumentos em favor do pensamento simbolista, em oposição ao pensamento racionalista. Quando Schuon analisa a mitologia xintoísta, percebe-se a riqueza extrema da relação entre a imagem mítica e a Realidade inteligível, a Imagem do Espírito, precisamente.
O autor também se dedica a corrigir alguns erros ou mal-entendidos, frequentemente repetidos no Ocidente, sobre o caráter “ateu” do Budismo, quando, na verdade, ele é não-teísta.
O último capítulo, dedicado ao Yoga, responde principalmente à objeção frequentemente ouvida no meio cristão contra a possibilidade de “meios técnicos” para alcançar a santidade. Isso permite ao autor mostrar, de passagem, por que a mentalidade semítica e europeia tem dificuldade em conciliar um ponto de vista de “técnica espiritual”, como o Yoga, com uma atitude de piedade e virtude.
Alguns elementos do livro relacionados ao Budismo serão retomados em Trésors du Bouddhisme, da Nataraj, 1997.
Resumo e topicos abaixo traduzidos de site francês dedicado a Schuon, sobre o qual estaremos aditando excertos traduzidos desta obra.
Imagens do Espírito — resumo
- Do espírito simbolista
- A respeito do assim dito refinamento progressivo do simbolismo segundo a perspectiva evolucionista
- Da vontade de negar a todo preço a ideia de um Deus supremo nos primitivos
- Da hipótese inadmissível de um pensamento “pré-lógico”
- A mentalidade simbolista: escolher entre o mundo externos das imagens para lhes sobrepor significações?
- “Ver” e “pensar” são sinônimos no simbolista
- O homem primordial vê o mais no menos
- Da cisão ente o homem e a terra na civilização industrializada
- Mitos xintoístas
- O sentido dos mitos e a perspectiva científica moderna
- A abolição dos mitos leva à criação de mitos factícios, as diversas “mitologias” cientistas
- Maneira muito indireta de conhecer*da lógica pura e simples
- Da “abolição” da divindade do Imperador do Japão
- Xintoísmo e veneração dos defuntos
- Da convicção inata que nossos ancestrais estiveram “mais perto dos deuses” que nós
- Da relação mais direta, nos antigos, entre o pensamento e o ato
- Que é o ancestral nos povos do Extremo-Oriente?
- Xintoísmo e “xamanismo hiperboreano”
- Culto dos grandes fenômenos da natureza, como nos Índios da América do Norte
- Parcimônia do elemento escatológico
- Parcimônia também dos preceitos morais
- A ética xintoísta, um estilo de ação
- O Tennô (título oficial do imperador) Monarca Celeste
- Do Princípio supremo no Xintoísmo
- Explicação da palavra “terra” nas mitologias como sinônimo de manifestação
- Do Casal Divino
- Analogia entre o mistério bíblico da serpente e o pássaro lavadeira que mostra ao Casal divino a copulação
- Análise dos diversos aspectos do mito
- O mito do cativeiro do Sol na Caverna
- Complexidade das mitologias e diversidades dos níveis de realidade
- Da hipótese cômoda e inútil dos “empréstimos”
- Uma outra versão do mito de Izanagi e de Izanami
- A respeito de uma divergência de perspectiva
- Comparação do Tennô com os chérifs (príncipes) no Islã
- Da impossibilidade de abolir a divindade do Tennô
- Os “três tesouros” (virtudes)
- Da significação do espelho
- Xintoísmo, religião natural ?
- O Xintoísmo corresponde aos “Pequenos mistérios” das antiguidades ocidentais
- O que ensina a todos o Xintoísmo
- Da liberação da mulher japonesa… Longa citação de Kakuzo Okakura
- Sobre os traços do Budismo
- O Budismo só é um vulgar empirismo filosófico?
- Ortodoxia intrínseca do Budismo
- Do Dharma budista
- Qual é a grande originalidade do Budismo?
- A respeito do “não-teísmo” budista
- Distinção, em Buda, entre a doutrina e o ser
- Para compreender a dimensão misteriosa do “Grande Veículo” é preciso começar por compreender a “transparência metafísica dos fenômenos”
- Do símbolo da teia de aranha
- Comparação entre o som dos sinos cristãos e o som do sino budista
- O que critica o Budismo do Cristianismo, a piedade ou a caridade
- Amar indistintamente todo ser, é amar o Ser indistinto em tudo
- Resumo sucinto da doutrina monoteísta da caridade humana
- A pobreza, não mais que a doença, não comporta diante de Deus qualquer direito à impiedade
- A noção de ilusão universal, barreira intransponível entre o “personalismo ocidental” e as metafísicas do Oriente
- Individuação e movimento da roda cósmica
- Conclusão a tirar do absurdo mesmo da pluralidade dos “ego”
- Da ideia budista da não-realidade do mundo
- Como o intelecto divino conhece as coisas?
- Há também a ideia da relativa realidade do mundo
- Longo parêntese sobre a ciência empirista e experimental e sobre os “conhecimentos” científicos
- Divergências importantes entre as cosmologias hindus e budistas
- Da teoria dos ciclos e dos mundos
- Do microcosmo humano
- Da “lembrança” que tem os Budas de suas “vidas anteriores”
- Do mistério dos Bodhisattvas recusando entrar no Nirvâna
- Da questão da danação
- O homem moderno perdeu o sentido do pecado e o sentimento de sua pequenez
- Responsabilidade, total mas não absoluta
- Toda uma mitologia da piedade, o Amidismo
- Matéria e Mâra ou Satã
- Resumo sobre a limitação da matéria e da ciência que aí se confina
- Relação estreita entre a matéria e o ego
- Do Vazio metafísico
- O Budismo é uma filosofia ou uma religião “natural”?
- Do aspecto racionalizante da dialética budista
- A respeito de uma deformação evolucionista de um dado esotérico
- Do erro evolucionista
- Da exigência de um máximo de liberdade para o animal humano
- Do interesse suscitado nos países ocidentais pelo Zen
- Os zenistas orientais e a supervalorização do caráter adogmático de sua tradição
- Aquilo que é preciso desconfiar com uma vigilância implacável, é a redução do espiritual ao psicológico
- Circunspecção necessária a respeito do famoso “adogmatismo”
- Explicação esotérica da cerimônia do chá
- É útil se demandar qual é, entre as numerosas escolas budistas, aquela que é a mais conforme ao Budismo primitivo?
- A maior das misérias humanas é a recusa de se abrir à Misericórdia
- Notas sobre o Ioga
- Que é o Ioga?
- Uma parada das atividades da substância mental ou a arte da concentração perfeita
- Da possibilidade de uma “técnica espiritual”
- Do caráter técnico e impessoal da ciência iogue
- Da tendência do espírito semita e europeu às alternativas irredutíveis
- Do elemento iogue no Cristianismo (o Hesicasmo)
- Fatores estéticos e fatores intelectuais na bhakti hindu
- Precisão sobre a diferença entre o espírito hindu e o espírito ocidental
- Do problema das “tentações contra a fé”
- Como a mística passional julga a técnica iogue?
- Incompatibilidade, no europeu, entre a “virtude” e a “técnica”
- Que é a virtude?
- Humildade
- Caridade
- As virtudes traduzem à sua maneira a verdade
- Da “técnica” espiritual (a arte da concentração)
- A concentração é menos a fixação sobre uma ideia ou um objeto que a eliminação de toda distração
- Da “virtude”, da ‘arte” e da “graça” em toda espiritualidade
- Não há yoga que confie pretenciosamente em seus únicos meios