Devir

(DRG)

Na análise guenoniana, o Devir transformou-se na lei fundamental do mundo moderno, estabelecendo como únicos valores válidos:

  1. A mudança permanente
  2. O movimento contínuo
  3. O relativo
  4. O transitório

Esta visão reducionista implica, segundo Guénon:

  • A negação do verdadeiro Conhecimento metafísico
  • A rejeição dos princípios transcendentes e imutáveis
  • A perda do contato com a Realidade absoluta

O Paradoxo do Devir Absolutizado
Guénon demonstra a contradição intrínseca desta doutrina:
“O relativo é ininteligível sem o Absoluto,
O contingente sem o necessário,
A mudança sem o imutável,
A multiplicidade sem a unidade”

Ao levar à última consequência a lógica do movimento perpétuo, chega-se a uma aporia: o próprio movimento acaba por se negar.

Origens Antigas de um Erro Moderno
Contrariamente à crença comum, esta visão não é moderna:

  • Já existia na Grécia antiga (Heráclito)
  • Corresponde a certas correntes budistas (sarva-vainâshikas)
    Que pregam a dissolução universal de todas as coisas

(Referências: “RGCMM”, cap. III; “ASPT”, cap. VI)

Ver também: Causalidade, Contingência, Dialética, Movimento