Sem dúvida, nos dirão que a realidade de um Deus criador não foi demonstrada; mas, além de não ser difícil demonstrar essa realidade com argumentos proporcionais à sua natureza – embora inacessíveis por essa mesma razão a certas mentes -, o mínimo que se pode dizer é que a evolução nunca foi demonstrada por ninguém, e por uma boa razão; admite-se a evolução transformadora como um postulado útil e provisório, assim como se admitiria qualquer coisa, desde que não se sinta obrigado a admitir a primazia do Imaterial, já que este escapa ao controle dos nossos sentidos. Quando se parte da constatação desse mistério imediatamente tangível que é a subjetividade ou a inteligência, é, no entanto, fácil conceber que a origem do Universo não é a matéria inerte e inconsciente, mas uma Substância espiritual que, de coagulação em coagulação e de segmentação em segmentação – e outras projeções ao mesmo tempo manifestantes e limitativas -, produz, no final, a matéria, fazendo-a emergir de uma substância mais sutil, mas já distante da Substância primordial. Objetar-se-á que não há nenhuma prova disso, ao que respondemos – além de que o fenômeno da subjetividade comporta precisamente essa prova, abstraindo-se de outras provas intelectuais possíveis, mas das quais a Inteleção não precisa -, ao que respondemos, portanto, que há infinitamente menos provas para esse absurdo inconcebível que é o evolucionismo, que faz surgir o milagre da consciência de um monte de terra ou de pedras, metaforicamente falando.
Frithjof Schuon – Du Divin à l’humain. Courrier du livre. (FSDH)