Jogo das Hipóstases (FS)

Frithjof Schuon – Do Divino ao Humano (FSDH)

Jogo das Hipóstases — tópicos

  • O que é o Absoluto
  • O que é infinito
  • O que é a Perfeição ou o Bem Soberano
  • Os vários graus de Maya
  • Perfeição e maldade
  • A possibilidade privada em si
  • Sat, Chit, Ananda
  • O Pai, o Filho e o Espírito Santo
  • Relações entre as três pessoas da Trindade
  • As hipóstases

Dizemos “o que se manifesta” e não “o que é”: o Absoluto, o Infinito, o Bem não são respectivamente a existência, as categorias existenciais, as qualidades das coisas, mas todos estes fatores manifestam, precisamente, o que as Hipóstases divinas – por assim dizer – são em si mesmas e para além do mundo. O JOGO DAS HIPÓSTASES

O Absoluto é infinito; portanto, Ele irradia e, irradiando, projeta-se; o conteúdo desta projeção é o Bem. O Absoluto não poderia irradiar nem produzir a imagem do Bem se não fosse ele mesmo em sua Imutabilidade o Bem e a Radiação, ou seja, se não possuísse essas dimensões intrínsecas, que são indistintas porque a Relatividade está ultrapassada. Este é o próprio fundamento do que a doutrina cristã chama de hipóstases. O JOGO DAS HIPÓSTASES

As Hipóstases não são “relativas”, isto é, “não absolutas” ou “menos absolutas”, na medida em que estão “contidas” na Essência, – que segundo uma certa perspectiva primitiva coincide com o “Pai”, – são “relativas” na medida em que “emanam” dela; se não estivessem “contidos”, não poderiam “emanar”. O JOGO DAS HIPÓSTASES

As Hipóstases são relativas em relação à Essência e absolutas em relação ao mundo, o que equivale a dizer – paradoxalmente mas necessariamente – que são “relativamente absolutas”; que estão no estágio ontológico da “emanação”, e não na essencialidade onde coincidem com o Absoluto puro e simples. O JOGO DAS HIPÓSTASES

É aqui que intervém a divina Mâyâ, Relatividade in divinis: enquanto por um lado o Absoluto por definição possui Infinitude e Perfeição, por outro lado – em virtude da Relatividade que o Infinito necessariamente implica – o Absoluto dá origem a uma Infinitude operativa e a um Bem manifestado; portanto, a uma hierarquia hipostática “descendente” e, em última análise, “criativa”. O JOGO DAS HIPÓSTASES

Dizer que o “Pai” não é nada sem o “Filho” – encontrámos esta expressão ofensiva algures – só pode significar isto, se quisermos encontrar nela um significado plausível: que o Absoluto não seria o Absoluto sem a sua potencialidade de “exteriorização” – portanto também de “repetição” – tanto hipostática como cosmogónica. O JOGO DAS HIPÓSTASES