Espaço

(DRG)

Na sua investigação, René Guénon estudou longamente o simbolismo do Espaço, porque este conhecimento condiciona de facto a compreensão do desenvolvimento das várias formas geométricas na sua relação com as leis metafísicas e as verdades cósmicas que delas resultam. Se a Cruz foi objecto de um exame muito preciso por parte de Guénon, outras figuras como o Círculo, o Quadrado ou o Cubo, receberam, pelo seu característico desdobramento no Espaço, uma atenção igualmente precisa. Isto é facilmente explicado se percebermos a riqueza das observações que aparecem durante a implementação do raciocínio analítico aplicado à geometria simbólica. O espaço deve, antes de tudo, ser considerado como o lugar onde todas as possibilidades da Existência universal podem ser expressas, o elemento de expressão e difusão do Poder Omnipotente do Verbo; São Paulo também faz referência direta a esta capacidade do Verbo de abraçar a totalidade do Espaço quando evoca “a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Jesus Cristo” (Ef. III, 18).

Lembremos, porém, que o Ponto primordial, o Centro, é sempre não localizado, é dele que surgem as seis direções do Espaço, mas ele próprio é totalmente independente do Espaço, porque este é apenas o “resultado de sua expansão, e procede inteiramente dele”.

O próprio espaço tem três dimensões e seis direções, ou seja, os seis pontos cardeais que, com o centro, formam todo o septenário. Esta totalidade, que pode ser identificada com a “extensão” absoluta, é no entanto, “mesmo considerada em toda a extensão de que é capaz, nada mais do que uma condição especial contida num grau de Existência universal”. O espaço é, de facto, apenas uma possibilidade no domínio da Manifestação, ou o que Guénon chama, “a circunferência da “roda das coisas”, ou a exterioridade da Existência universal”. É por isso que falar de “Espaço infinito” (como de número infinito) é, para Guénon, um absurdo em si. O espaço designa apenas o conjunto de áreas particulares cujo número é “indefinido”, mas determinado, finito e limitado. O Infinito não pode surgir do Espaço, nem estar contido no Espaço, porque o “mais” não pode ser englobado no “menos”, o Infinito no finito.

(RGSC, cap. IV, “As direções do espaço”, cap. XVI, “Relações de ponto e extensão”, cap. XVIII, “Transição de coordenadas retilíneas para coordenadas polares; Continuidade por rotação”, XXIX, “O Centro e a circunferência”, cap. XXX, “Últimas observações sobre o simbolismo espacial”. SFCS, cap. LVII, “Os sete raios e o arco-íris”. RGPCI, cap. I, “Infinito e Indefinido”, cap. VII, “Os graus do infinito”.)

Veja Cruz, Estendido, Indefinido, Infinito, Dias da Criação, Nadir, Ponto, Zênite.