Este livro é um dos últimos livros em francês escritos por Frithjof Schuon. Além de alguns capítulos publicados no passado em revistas e da terceira parte, que reúne extratos inéditos de correspondência, os novos capítulos representam uma espécie de síntese final e concisa do que representa a Sophia Perennis. Deixemos o próprio autor apresentar esta obra.
“A imagem do homem que a psicologia moderna nos apresenta não é apenas fragmentária, é miserável. Na realidade, o homem está como que suspenso entre a animalidade e a divindade; ora, o pensamento moderno, seja filosófico ou científico, praticamente só admite a animalidade…”
“O objetivo deste livro é reafirmar a nobreza nativa da natureza humana deiforme.
“O apanágio fundamental do homem é, de fato, uma inteligência capaz de conhecimento metafísico – ou seja, capaz de conhecer e amar Deus, o Soberano Bem. Essa capacidade determina o sentido do sagrado, da oração e da contemplação. Todas as coisas são então reconduzidas à sua fonte divina e percebidas como tantas teofanias. Assim, o símbolo fala à nossa inteligência, e a criação é restituída à sua transparência metafísica original.
Trata-se, portanto, neste livro, de corrigir e aperfeiçoar a imagem do homem, hoje mutilada, insistindo em sua divindade, não para fazê-lo um deus, isso é óbvio, mas simplesmente para dar conta de sua verdadeira natureza, que ultrapassa o terreno e sem a qual ele não tem razão de ser. É isso que o autor acredita poder chamar de ‘a transfiguração do homem’.” (traduzido DESTA apresentação da obra)
Índice (Detalhamento)
Prefácio
I. Pensamento, Arte e Trabalho
O Pensamento: Luz e Perversão
Filosofia, amor pela sabedoria
O suicídio intelectual da promoção da dúvida
Da “personalidade” do pensador
Os sofistas, verdadeiros precursores do pensamento moderno
O que é a filosofia moderna?
As tolices e os crimes perpetrados em nome da religião
O sentido crítico
Por que a estética dos racionalistas admite apenas a arte da Antiguidade clássica?
Recurso à metafísica para elucidar os impasses da teologia
Das ideologias profanas
Os adversários da Sophia Perennis: os fideístas, os racionalistas e os realizacionistas
O que caracteriza os falsos mestres?
Das duas origens da Sophia
A Sophia Perennis, descritiva e não silogística
Reflexões sobre o sentimentalismo ideológico
O que é uma doutrina sentimental?
Exemplo do kantismo
Auguste Comte
A máquina tende a fazer do homem o que ela é
Sobre a ideologia democrática e antitocrática
Da falaciosa liberdade que se apresenta como um fim em si mesmo
Logicamente, a democracia se opõe à tirania, mas, na prática, leva a ela
A maioria pode ser inteligente?
O homem é moralmente obrigado a “pensar por si mesmo”?
Da obsessão demagógica pelo “social” entre os próprios crentes
O que é o progressismo? Querer eliminar os efeitos sem querer eliminar as causas.
Do egoísmo dos contemplativos
Protestar contra uma baixeza é sentimentalidade?
Confronto entre a Antiguidade e nossa época
Do sonho do igualitarismo
É preciso ser “do nosso tempo”?
Do “vitalismo” filosófico
Do elemento sentimental nos exoterismos semíticos
A quintessência positiva do sentimento é o amor
Usurpações do sentimento religioso
Confusão entre religião e pátria
O que é necessário para determinar os direitos das coisas terrestres?
Há pátria e pátria
A obra de uma Joana d’Arc nada tem a ver com o nacionalismo moderno
Definição da noção de pátria
De que depende o caráter sagrado de uma nação?
O patriotismo profano indevidamente misturado à religião arruína o prestígio da religião
Do extremo desapego de Cristo em relação à sua pátria
A religião contém a resposta para toda questão humana
A convergência impossível
A causa do sofrimento no mundo vem de uma simples falta de ciência e organização?
Combater as calamidades deste mundo fora da verdade total e do bem supremo…
Convergência impossível entre a civitas Dei e o progressismo mundano
“Buscai o Reino de Deus e sua justiça…” chave para o problema da nossa condição terrestre
O que é o pecado?
Do pecado-vício e do pecado-estado
Aliança impossível entre o princípio do bem e o pecado organizado
Colocar condições à religião é não compreendê-la
Do humilitarismo profano
A arte, seus deveres e seus direitos
Do homo faber
Função ao mesmo tempo mágica e espiritual da arte
Da obra naturalista
Querer dizer demais, um dos erros da arte moderna
Predominância do elemento objeto entre os artistas tradicionais
Qual é o drama de toda a “cultura” moderna?
De duas formas de idolatria
Do ícone e do Santo Sudário
Por que a imagem divina está ausente em certas tribos?
Deus, autor da arte sagrada
A deiformidade do corpo humano como origem do nudismo sagrado
O sentido espiritual do trabalho
Do culto moderno ao trabalho
Há trabalho e trabalho
O trabalho nunca é excluído dos grandes métodos espirituais
Das três condições fundamentais para que o trabalho seja integrado na espiritualidade
Se essas condições forem cumpridas, o trabalho deixa de ser um obstáculo
II. O Homem, a Verdade e o Caminho
Faculdades e modalidades do homem
Inteligência, vontade, sentimento
Razão, desejo, imaginação e memória
As virtudes e os talentos
O temperamento e o caráter
O que é a personalidade de uma pessoa?
Da exterioridade excessiva
Axiomas da Sophia Perennis
Os axiomas ab extra e ab intra
Resumo do que é a Sophia Perennis
O Princípio e a Manifestação são totalmente estranhos um ao outro?
Dos dois aspectos, negativo e positivo, da Manifestação
Diferença entre o filósofo e o metafísico
O mistério da Possibilidade
“Deus faz o que Ele quer”: o que isso significa
“Nada é mau, pois tudo o que acontece é ‘querido’ por Deus”?
Deus “permite” o mal…
O ritmo ternário do espírito
Da existência como dilatação a partir de um ponto
O que é a morte?
Do ternário védico, Ser, Consciência, Alegria
Onde se deve colocar a felicidade?
Do símbolo revelado
O símbolo, uma exteriorização em vista de uma interiorização
Um enigma do Evangelho
Incoerência das Escrituras por supersaturação
De um incidente perturbador da Santa Ceia: Cristo dá a Judas um pedaço de pão…
Explicação do enigma
Razão do gesto de Cristo
Judas era um ser fundamentalmente mau?
Circunstâncias atenuantes no caso de Caifás e Pilatos
Para compreender a atitude de Cristo em relação aos escribas e fariseus
Al-Hallâj, manifestação “cristica” no Islã
Características da mística voluntarista
Diferença entre a mística voluntarista e a bhakti hindu
Da humildade sentimental
A humildade sentimental teme qualquer perspectiva que transcenda a alternativa moral
Da caça aos pecados
Da doutrina de São João da Cruz
Santidade e envergadura da inteligência, duas coisas diferentes
Longa citação de Santa Teresa de Ávila
Nos passos do princípio sacrificial
Renunciar ao excesso
O princípio sacrificial é o único espiritualmente eficaz?
Explicação do princípio sacrificial pelo exemplo da colheita, onde se guarda grão para o ano seguinte
Necessidade de um elemento sacrificial regulador para o equilíbrio da vida social
“Quem morre antes de morrer, não morre quando morre”…
Nobreza e instinto sacrificial
Função “ecológica” da religião
Mas os abusos existiram
Ostracização da sexualidade na Igreja latina
Da guerra intertribal permanente entre as tribos ditas primitivas
Do mundo moderno como negação do princípio sacrificial
A renúncia não deve levar a um zelo de amargura
Da distinção entre a “carne” e o “espírito”
Uma filosofia “segundo o espírito” e uma filosofia “segundo a carne”
Dimensões da oração
Como o homem deve encontrar Deus?
Qual é a essência da oração?
Todo homem busca a felicidade…
Mortalidade do homem e imortalidade da alma como outra dimensão da oração
A capacidade de conhecimento metafísico também determina uma dimensão da oração
Somos o que somos, e tudo está nas mãos da Providência
III. Extratos de correspondência
O jardim
A prova
Certezas
Da santidade
Amor de Deus
Gratidão
Fraqueza e força
Complementaridades
Fazer sua salvação
O sentido do sagrado
Da virtude
Tesouros
O resgate do eu
Duas visões das coisas
Manifestação e prova
Onomatologia sufista
Existência e presença divina
Os dois grandes momentos