Trilhas de Gnose (FS)

Frithjof Schuon – Trilhas de gnose (FSSG)

“Uma das principais razões para a incompreensão mútua que se ergue, como uma parede estanque, entre as religiões, parece-nos ser o fato de que o sentimento do absoluto se situa, em cada caso, em um plano diferente, de modo que os pontos de comparação são, na maioria das vezes, ilusórios.” (p. 9)

“Ver Deus em todo lugar”… “como” as coisas simbolizam Deus ou os “aspectos divinos”? Não se pode dizer que Deus é essa árvore, nem que essa árvore é Deus, mas pode-se dizer que a árvore, sob certo aspecto, não é “outra coisa senão Deus”, ou que, não sendo inexistente, ela não pode deixar de ser Deus de alguma forma. Pois a árvore tem a existência, depois a vida que a distingue dos minerais, em seguida suas qualidades particulares que a distinguem de outras plantas, e finalmente seu simbolismo, tantas maneiras para a árvore, não apenas de não “ser o nada”, mas também de afirmar Deus sob este ou aquele aspecto: a vida, a criação, a majestade, a imutabilidade axial ou a generosidade.” (p. 126)

A síntese desta obra coincide com a definição da Gnose, que é o conhecimento puramente intelectivo, portanto supra-racional, cujas expressões ao longo da história constituem a philosophia perennis, e que, como verdadeira “ciência sagrada”, permite única e exclusivamente desvendar a realidade espiritual subjacente a todos os símbolos da verdade, sejam eles religiosos ou doutrinas sapienciais.

A Gnose é a perspectiva ou a linguagem do divino Si mesmo, do Intelecto universal, cuja luz permite todos os discernimentos e todas as sínteses conformes à natureza das coisas. E o Cristianismo, cujo aspecto sapiencial foi por muito tempo negligenciado, não é nada mais, em sua estrutura metafísica, do que tal perspectiva ou tal linguagem.

Resumo e tópicos abaixo traduzidos do site francês dedicado a Schuon (Sentiers de gnose), sobre o qual estaremos aditando excertos traduzidos da obra.

Trilhas de gnose — resumo

  • CONTROVÉRSIAS
    • O sentimento de absoluto nas religiões
      • Uma das principais razões da incompreensão mútua entre as religiões
      • Dos números problemas provenientes, hoje em dia, da interpretação das civilizações
      • Primeiro exemplo de dificuldades: a divindade do Cristo
      • É um problema para os muçulmanos, e também para os judeus
      • Avatâras plenos e Avatâras parciais no hinduísmo
      • Caráter respectivo das conversões cristã e islâmica
      • Passagem de uma tradição asiática a uma outra e mudança de religião nas três tradições semitas
      • As diferenças religiosas se refletem muito nitidamente nas diferentes artes sagradas
      • Escolha volitiva e escolha intelectiva em toda religião
      • Diferença entre a barakah cristã e a barakah islâmica
      • Questão da historicidade dos grandes fenômenos religiosos
      • Uma base histórica é “menos valiosa” que uma base mitológica?
      • A história fornece provas da validade dos meios de graça
      • Mas existe uma verdade mais “real” que aquela dos fatos
      • Dos três graus de historicidade: mitologia, história mitigada, história exata
      • O objeto da fé prima a fé ela mesma, ou a fé prima seu objeto?
      • Uma palavra sobre a gnose ou “philosophia perennis”, traço de união entre as religiões
    • Diversidade da revelação
      • Do momento que só há uma única Verdade, não se deve concluir que só há uma única Revelação, um só Tradição possível
      • Verdade e Revelação não termos absolutamente equivalentes
      • Razão pela qual as Revelações se excluem
      • Duplo aspecto da linguagem das Escrituras sagradas
      • Existe sobre a terra raças diversas, línguas diversas, porque não religiões diversas?
    • Há uma mística natural ?
      • Definição da noção de “mística natural”
      • Objeção a esta noção
      • Natural e sobrenatural
      • Falsa mística
      • Análise das confusões que acarreta o postulado de “mística natural”
      • Outro exemplo de ilusão ótica: a lei do karma, e a predestinação
      • Do argumento do milagre
    • Vicissitudes dos temperamentos espirituais
      • Da tendência a se fechar em alguma iniciação sobretudo em nossa época
      • Diferença entre a bhakta e o jnânî
      • Parêntese: não confundir gênio intelectual com a acuidade mental dos lógicos
      • Porque a alma do intelectivo tem necessidade de caridade?
      • A caridade não deve ser superada na gnose?
      • Que representa o ego para o bhakta?
      • Como se justifica a perspectiva de “situar o diabo no ego e Deus no próximo”
      • A questão do “altruísmo”: parêntese sobre o humanitarismo laico e antitradicional
      • Dos perigos da influência moderna para a bhakti não-doutrinal e “prática”
      • Da necessidade de ortodoxia da bhakti
      • O que esquece o “espiritualismo” moderno da Índia
      • Há no entanto exceções por causa das condições excepcionais de nossa época
      • Crítica cristã dos “meios” asiáticos de salvação
      • Para compreender certos erros do neo-bhaktismo em geral
    • A respeito da doutrina da ilusão
      • A doutrina da ilusão não é uma solução de facilidade
      • De uma fraqueza encontrada no jnâna operativo
      • É o mental que cria o mundo objetivo ?
      • Diferença eminente entre o estado de vigília e o estado de sono
      • A grande questão aqui: quem é o sujeito ?
      • O que é o mal, então ?
      • A questão da “origem” da ilusão
  • II. GNOSE
    • A gnose, linguagem do Si
      • Das diversas maneiras de exprimir a diferença entre a gnose e o amor
      • Natureza da pura intelecção
      • Fins últimos das grandes virtudes evangélicas
      • Há questões às quais é preciso responder ao mesmo tempo por um “sim” e por um “não”
      • “Encarnação” e “descida” ou “revelação”
      • Deus é Luz antes de ser Calor
      • O que é o verdadeiro filósofo, para Platão e Sócrates ?
      • Distinção entre pensamento racional e pensamento intelectivo
      • A gnose está centrada sobre o que é e não sobre o que deveria ser
      • Da serenidade
      • Da “lembrança de Deus”,*este núcleo luminoso no centro da corrente das formas
      • Da existência em si
      • O princípio de objetivação, causa de ilusão
      • A gnose é nossa participação na “perspectiva” do Sujeito divino
      • Sat, Chit, Ananda
    • O aspecto ternário do microcosmo humano
      • O corpo, o cérebro e o coração
      • Relação entre cada plano
      • Intelecto e mental
      • Intelecto como coração
      • Olhando o homem do exterior, pode-se distinguir dois conjuntos formais, o corpo e a cabeça, o terceiro elemento está oculto e é o coração
      • Da imagem do Buda como modelo da posição yoga fundamental
      • Si-Espírito-Mundo e o ternário “coração-cérebro-corpo”
    • Amor de Deus, consciência do Real
      • Antes de poder amar, é preciso “ser consciente”
      • Aspecto impessoal do amor no quadro da gnose
      • Todos os homens tem necessidade, a um grau qualquer, de compreender e de amar
      • Mas em alguns, o elemento “verdade” prima o elemento “vida”
      • O termo “amor” evoca atração sexual, afeição familial mas também a ideia de “união”
      • Da transparência metafísica dos fenômenos
      • Das duas faces da consciência do Real
      • Que é ter consciência de Si?
    • Ver Deus por toda parte
      • Há aí bastante graus
      • Do “milagre” da existência
      • Das qualidades dos fenômenos
      • Ver Deus em seus dons, e disto ter gratidão
      • Dizer “existir”, é dizer ter qualidades, mas também limites
      • As limitações exprimem a irrealidade metafísica das coisas
      • Do simbolismo: aí também há graus a distinguir
      • Definição da ciência simbolista
      • Como as coisas simbolizam Deus ou os “aspectos divinos”?
      • Exemplo da árvore
      • Simbolismo e percepção da Unidade
      • Outros modos permitindo “ver Deus”: espaço, tempo, forma, número, substância
      • “Ver Deus por toda parte”, é se ver Si-mesmo (Atmâ) em toda coisa
      • Qual sentido dar à doutrina dogmática da alma nos Monoteístas, segundo a qual a alma seria sem fim tendo tido todavia um princípio?
      • A faculdade de ver Deus em tudo: uma graça
      • Da obrigação de “se tornar aquilo que somos”
      • O que é o mundo?
      • Somos condenados à eternidade
  • III. CRISTIANISMO
    • Algumas apreciações
      • O Cristo, “Luz do mundo”, Intelecto universal, “Sabedoria do Pai”
      • A gnose cristã é a metafísica trinitária
      • As três imagens da arte cristã: a Virgem e a Criança, o Crucifixo, a santa Face
      • Arte e liturgia
      • A Igreja de Pedro e a Igreja de João
      • Da confirmação e da descida do Espírito Santo
      • Do Pão e do Vinho
      • Da Eucaristia
      • Dos dois mandamentos supremos
      • Da Legenda dourada e da lembrança de Deus
      • Deus é Amor, como Ele é Luz
      • Porque a insistência sobre a virtude da humildade em meio cristão?
      • Da humildade como “morte espiritual”
      • Afirmação muito clara da perspectiva volitiva na história da Bíblia
      • Porque os cristão não puderam evitar a sabedoria platônica?
      • Da “piedosa fraude” por caridade
      • Vontade e liberdade em Tomás de Aquino
      • Que significa a moral da face esquerda estendida?
      • Que simboliza a não-violência preconizada no Evangelho?
    • Mistérios crísticos e virginais
      • Deus se tornou homem (Encarnação), a fim de que o homem se torne Deus (Redenção)
      • Dois aspectos do mistério da Encarnação: o Cristo e a Virgem-Maria
      • Que entendemos por mistério
      • Ave Maria gratia plena
      • Explicação de cada uma das palavras da Ave Maria
      • Quais são as perfeições virginais?
      • Da natureza do Cristo
      • Da oração dominical
    • Da cruz
      • O Cristo assume, com a cruz, o mal da existência
      • Dois aspectos da existência: a árvore e a cruz
      • Morais sociais e mística do Cristo
      • A justiça aí tem portanto seu lugar
      • Que significa “Portar sua cruz”?
      • O mistério do abandono, no centro da cruz