Extinção

(DRG)

A tradição distingue a Extinção (El-fanâ), da Extinção da Extinção (Fanâ el-fanâi), que também na Índia é equivalente ao Parinirvâna. Esta distinção corresponde à passagem entre a identificação com o Centro, um estado de ser já muito elevado, e a união final com o Ser total, uma união que completa todas as possibilidades e até as supera radicalmente de certa forma. A extinção, que representa o acesso ao Princípio, é também uma participação na sua imutabilidade, uma imitação do seu “não-agir”. Lao-Tseu, que Guénon cita, afirma que “aquele que atingiu o máximo do vazio, ficará firmemente fixado no repouso… Voltar à raiz é entrar no estado de repouso”. O vazio de que fala Lao-Tseu, é idêntico ao desapego perfeito (desapego idêntico a El-fanâ), “desapego completo em relação a todas as coisas manifestadas, transitórias e contingentes”, é aí onde se dá a passagem da circunferência das coisas contingentes para o Centro imutável, é a “Grande Paz” no vazio. Esta Paz no vazio, especifica ainda Guénon, é a “Grande Paz” do esoterismo islâmico (Es-Sakînah), a “Presença Divina” que é simbolicamente representada pelo Coração.

A Extinção pode ser considerada, como o Nirvana, como uma condição supraindividual, e a Extinção da Extinção, comparável ao Parinirvana, como um estado totalmente incondicionado. É portanto apropriado medir cuidadosamente a distância que separa estes dois estados, e apreciar em toda a sua dimensão o que a “Grande Extinção” pode verdadeiramente representar, aquilo que já não inclui nenhum grau acima dela, que é um com a Unidade Suprema.

(RGSC, cap. VII, “A resolução das oposições”. HDV, cap. XXIII, “Videha-mukti e Jivan-mukti”.)

Veja Cruz, Laya-yoga, Nirvana, Eu, Paz, Vazio.